O uso excessivo das redes sociais tem causado impactos preocupantes na saúde mental de crianças e adolescentes em todo o mundo. É o que revela o relatório anual do Índice KidsRights, divulgado nesta semana, que apontou que 70% dos jovens apresentam problemas emocionais associados ao uso das plataformas digitais. O documento, que avaliou a situação da infância em 194 países, alerta para uma “correlação perturbadora” entre o uso problemático das redes e a piora no bem-estar psicológico da juventude.

Segundo o relatório, o uso problemático é definido como aquele que interfere na vida cotidiana, prejudicando o sono, o rendimento escolar, a convivência social e a autoestima. Entre as consequências mais graves, o relatório menciona o aumento de casos de ansiedade, depressão e até tentativas de suicídio. Dados citados no estudo, com base na Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que a taxa global de suicídio entre adolescentes de 15 a 19 anos é de 6 por 100 mil habitantes.

O fundador da KidsRights, Marc Dullaert, classificou o cenário como crítico. “A crise de saúde mental entre nossas crianças atingiu um ponto crítico, exacerbada pela expansão descontrolada das mídias sociais, que privilegia o uso em detrimento da segurança”, afirmou. Ele defende que o tema precisa ser tratado com urgência por governos e plataformas digitais.

Apesar da gravidade do problema, o relatório critica medidas extremas, como a proibição total do uso das redes por menores de idade. Um exemplo citado é a decisão da Austrália de vetar o acesso de pessoas com menos de 16 anos às plataformas. Segundo a fundação, esse tipo de restrição ampla pode ferir direitos fundamentais, como o acesso à informação e à liberdade de expressão.

A recomendação da KidsRights é por uma abordagem mais equilibrada, que envolva a regulação responsável das redes, o incentivo à educação digital e a oferta de apoio psicológico adequado. O documento também chama atenção para os riscos aos quais as crianças estão expostas no ambiente digital, como o bullying, a violência psicológica, a exploração sexual, a violência de gênero e a desinformação.

Por outro lado, o relatório reconhece que os avanços tecnológicos também trouxeram oportunidades importantes, como o acesso a conteúdos educativos e à conectividade com o mundo. O desafio, segundo a fundação, é garantir que essas ferramentas sejam usadas de forma segura, respeitando os direitos e o desenvolvimento saudável das novas gerações.


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