A cerca de seis meses da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP30, o presidente do evento, André Corrêa do Lago, divulgou uma carta alertando para uma “perigosa tendência” de efeito dominó nas mudanças climáticas. Segundo ele, apenas uma resposta coordenada e multilateral entre os países poderá evitar colapsos sistêmicos no meio ambiente.

A COP30 será realizada em novembro deste ano, em Belém (PA), e reunirá representantes de mais de 190 países, especialistas, ambientalistas e membros da sociedade civil. O objetivo do encontro é discutir o que já foi feito e o que ainda é necessário para conter o avanço da crise climática.

Na carta — a segunda desde que assumiu a presidência da COP30 — Corrêa do Lago afirma que o mundo enfrenta desafios geopolíticos, socioeconômicos e ambientais severos e defende que é hora de transformar os riscos em oportunidades por meio de ações conjuntas.

“Unidos, podemos reverter a perigosa tendência rumo a colapsos sistêmicos sucessivos. Juntos, podemos desencadear ações em cadeia para soluções de baixo carbono e resilientes ao clima. Ainda que o desafio seja imenso, temos de nos erguer e confrontá-lo”, escreveu.

O presidente da COP30 também propôs uma maior conexão entre os efeitos do clima e a vida cotidiana das pessoas, com ações práticas que acelerem a implementação do Acordo de Paris — tratado internacional que busca limitar o aquecimento global a menos de 2°C, com esforços para mantê-lo abaixo de 1,5°C.

DESAFIOS PARA O BRASIL NA COP 30

Além da logística para sediar um evento de grande porte, o Brasil terá de lidar com questões delicadas nas negociações. Entre os principais desafios estão:

  • Baixa adesão às metas climáticas (NDCs): apenas cerca de 10% dos países apresentaram suas metas até agora. O prazo final vai até setembro.
  • Financiamento climático: a estimativa é de que sejam necessários US$ 1,3 trilhão até 2035, mas na última conferência (COP29), só US$ 300 bilhões foram prometidos — valor considerado insuficiente.
  • Dependência dos combustíveis fósseis: o governo Lula defende um debate global urgente sobre alternativas energéticas mais sustentáveis.

A ministra Marina Silva tem reiterado a urgência da transição energética e, segundo o embaixador Maurício Lyrio, negociador-chefe do Brasil no Brics, o grupo (formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) busca uma posição conjunta sobre o financiamento climático para levar à COP30. A reunião de cúpula do bloco acontecerá em julho, no Rio de Janeiro.

CENÁRIO INTERNACIONAL

Outro ponto de atenção é o papel dos Estados Unidos nas negociações. André Corrêa do Lago destacou que a saída do país do Acordo de Paris durante o governo Donald Trump pode ter reflexos negativos na COP30. Especialistas alertam que, sendo a maior economia do mundo e o segundo maior emissor de gases de efeito estufa, as decisões dos EUA impactam diretamente os rumos da luta climática global.

O presidente Lula, por sua vez, tem usado sua presença em fóruns internacionais para pressionar por compromissos mais concretos e duradouros. “O planeta está farto de promessas não cumpridas”, declarou recentemente, reforçando que a COP30 precisa marcar um novo ciclo de implementação real dos acordos climáticos.


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