Um novo algoritmo de inteligência artificial, chamado FaceAge, promete transformar a forma como médicos avaliam a saúde de seus pacientes. Apresentado na revista The Lancet Digital Health, o sistema usa uma simples foto do rosto para estimar a idade biológica de uma pessoa — um dado que pode ser mais preciso que a idade cronológica para determinar sua capacidade de resistir a tratamentos agressivos, como quimioterapia ou cirurgias complexas.

Desenvolvido por pesquisadores ligados à universidade de Harvard, o FaceAge foi treinado com mais de 58 mil imagens de adultos presumivelmente saudáveis com mais de 60 anos. Depois, foi testado com 6.196 pacientes em tratamento nos EUA e na Holanda. O resultado: pacientes com câncer apresentaram, em média, quase cinco anos a mais de idade biológica do que a idade real.
De acordo com Raymond Mak, oncologista da Mass Brigham Health e coautor do estudo, o sistema pode ser um novo biomarcador para auxiliar decisões clínicas. “Nossa hipótese é que o FaceAge pode ajudar médicos a escolher entre tratamentos mais intensivos ou opções menos agressivas, com base na condição real do paciente”, afirmou.
O algoritmo pode ajudar, por exemplo, a distinguir dois pacientes: um de 75 anos com idade biológica de 65, ainda forte e ativo, e outro de 60 anos com idade biológica de 70, mais frágil. O primeiro pode tolerar uma radioterapia pesada, enquanto o segundo corre mais risco com o mesmo tratamento.
A tecnologia também pode ser útil em outras áreas da medicina, como decisões sobre cirurgias cardíacas ou ortopédicas, além de cuidados paliativos.
Ao contrário do julgamento humano, o FaceAge não se baseia em características como cabelos brancos ou calvície. Ele detecta alterações sutis na musculatura facial que indicam envelhecimento celular. O sistema chegou, inclusive, a melhorar a precisão de médicos ao prever a sobrevida de pacientes terminais.
E para alegria dos fãs, o algoritmo confirmou um meme famoso da internet ao estimar que o ator Paul Rudd tinha 43 anos em uma foto onde, na verdade, estava com 50.
Embora os testes iniciais não tenham identificado viés racial significativo, os pesquisadores estão desenvolvendo uma nova versão do FaceAge com base em 20 mil pacientes, para garantir mais diversidade e precisão. Também avaliam se maquiagem, cirurgias estéticas ou iluminação podem enganar o sistema.
O potencial da tecnologia levanta questões éticas: seguradoras ou empregadores poderiam se interessar por esse tipo de dado? Saber que o corpo é mais velho do que se imagina pode incentivar mudanças saudáveis, mas também gerar ansiedade.
Para o futuro, os criadores do FaceAge planejam lançar um portal público onde qualquer pessoa poderá enviar sua foto para participar de um estudo. Uma versão comercial, voltada a médicos, será lançada após validações adicionais.






