O Ministério Público do Paraguai anunciou, nesta quinta-feira (3), a abertura de um processo criminal para investigar uma suposta espionagem digital realizada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contra autoridades e órgãos governamentais paraguaios.

A denúncia veio à tona após um funcionário da Abin, em depoimento à Polícia Federal do Brasil, afirmar que a agência teria mantido operações de invasão hacker em sistemas do governo paraguaio, incluindo o Congresso, a Presidência da República e autoridades envolvidas nas negociações da Usina Hidrelétrica de Itaipu.
Diante das acusações, o governo do Paraguai convocou, na terça-feira (1º), o embaixador brasileiro em Assunção, José Antônio Marcondes, para pedir explicações formais sobre o suposto monitoramento.
Segundo o depoimento do servidor da Abin, o objetivo das invasões era obter informações sigilosas sobre os valores em negociação no Anexo C do Tratado de Itaipu, que trata das condições de comercialização da energia gerada pela usina.
Em nota oficial, o Ministério Público paraguaio reforçou o compromisso com a proteção da soberania nacional e garantiu que dará continuidade às investigações.
O depoimento do funcionário da Abin aponta que as operações teriam começado ainda no governo de Jair Bolsonaro e continuado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, com autorização do atual diretor da agência, Luiz Fernando Corrêa, e do ex-diretor interino Saulo de Cunha Moura, que ocupou o cargo em maio de 2023.
O governo Lula, no entanto, afirmou em nota que interrompeu a ação assim que soube da operação, em março de 2023.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal do Brasil abriu um inquérito na segunda-feira (31) para apurar o possível vazamento de informações sobre a existência de uma “Abin paralela”, que supostamente utilizava serviços de inteligência para ações ilícitas.
As revelações sobre a suposta espionagem aumentam as tensões diplomáticas entre Brasil e Paraguai, especialmente no momento em que os dois países negociam os termos do Tratado de Itaipu, um dos acordos energéticos mais importantes da região.






