A importação de veículos elétricos e híbridos caiu 51% no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período do ano passado. O recuo se deu após o aumento da alíquota do imposto de importação sobre esses automóveis, que passou de 10% para 18%, como parte de uma política de retomada gradual da taxação no setor. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, da Indústria, do Comércio e dos Serviços (Mdic), com base no painel Comex Stat.

De janeiro a março deste ano, o Brasil importou US$ 428,7 milhões em veículos das duas categorias, ante os US$ 874,6 milhões registrados no mesmo período de 2024, ano que marcou o maior volume de compras da série histórica. A queda foi mais acentuada nos carros 100% elétricos, cuja importação despencou 74,9%, totalizando US$ 104,8 milhões. Já os híbridos somaram US$ 323,9 milhões, o que representa uma retração de 29,1%.

A quantidade de veículos importados seguiu a mesma tendência. Foram desembarcadas 5.849 unidades de carros elétricos no Brasil no primeiro trimestre, contra 19.374 no mesmo intervalo do ano passado, o que significa uma queda de 69,8%. No caso dos híbridos, o país importou 12.965 unidades, redução de 17,4%. Somando os dois tipos, a queda no volume físico foi de 46,4%.

A nova política tributária prevê uma taxação escalonada até 2026. A alíquota para os carros elétricos, que estava zerada desde 2015, começou em 10% em janeiro de 2024, subiu para 18% em 2025 e atingirá 35% em julho de 2026. Para os híbridos, o percentual segue uma trajetória semelhante.

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) apoia o aumento da tributação. Segundo o presidente da entidade, Márcio de Lima Leite, o Brasil deixou de arrecadar cerca de R$ 6 bilhões em 2024 por não aplicar a alíquota máxima de 35% às importações desses veículos. A entidade também argumenta que a medida estimula a produção local e protege a indústria automotiva nacional.

No ano passado, o país bateu recorde nas importações de elétricos, que somaram US$ 1,6 bilhão, alta de 107,7% em relação a 2023. A maioria desses veículos veio da China, responsável por 84% do total importado. No segmento de híbridos, os modelos chineses também lideraram, representando 64% do total.

A desaceleração das importações brasileiras acompanha uma tendência global. Em fevereiro de 2025, as exportações chinesas de carros elétricos caíram 18% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Países como Coreia do Sul, Bélgica e Espanha registraram quedas ainda mais expressivas, de 51%, 49% e 41%, respectivamente.

A redução nas exportações da China está relacionada a medidas protecionistas adotadas por diversas nações. A União Europeia, por exemplo, impôs tarifas antissubsídios de até 35,3% aos carros elétricos chineses. Em resposta, o governo da China acionou a Organização Mundial do Comércio (OMC), questionando as medidas europeias.

Além disso, os subsídios internos chineses às fabricantes automotivas perderam força nos últimos meses. A disputa comercial com os Estados Unidos também pressiona o setor e pode redirecionar o foco de exportação das empresas chinesas para novos mercados. No curto prazo, porém, a expectativa é de retração na expansão global das marcas chinesas de veículos elétricos.


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