O Departamento de Comércio dos Estados Unidos anunciou novas tarifas antidumping e compensatórias sobre painéis solares importados de diversos países asiáticos, atingindo em cheio a cadeia global do setor. As tarifas mais altas foram impostas ao Camboja, com alíquotas de até 3.521%, após o país deixar de colaborar com as investigações norte-americanas.
Outros países também foram duramente afetados:
- Vietnã: até 395,9%
- Tailândia: até 375,2%
- Malásia: até 34,4%

As tarifas têm como objetivo combater supostos subsídios injustos e práticas de dumping por parte das fabricantes estrangeiras, principalmente empresas com ligações à China. Os EUA importaram cerca de US$ 12,9 bilhões em equipamentos solares dessas nações em 2024, o que correspondeu a 77% das importações totais do setor.
Apesar de a medida favorecer a indústria solar nacional, ela levanta preocupações entre desenvolvedores de energia renovável nos EUA, que dependem desses insumos mais baratos para manter os custos baixos. O setor já vinha enfrentando desafios com mudanças políticas em Washington.
A iniciativa foi comemorada por fabricantes locais como Hanwha Q Cells e First Solar, que vinham alertando sobre a competição desleal. “Essa é uma vitória decisiva para a indústria americana”, afirmou Tim Brightbill, advogado da coalizão que moveu a ação.
Entre as empresas mais afetadas pelas tarifas estão:
- Jinko Solar: até 245% para exportações do Vietnã e 40% da Malásia
- Trina Solar: até 375% na Tailândia e mais de 200% do Vietnã
- JA Solar: até 120% nas exportações vietnamitas
A JA Solar afirmou estar acelerando sua expansão global, com previsão de uma nova fábrica em Omã até o fim de 2025, com capacidade para produzir 6 GW em células solares e 3 GW em módulos.
Especialistas alertam que a medida pode agravar a instabilidade no mercado solar, mesmo com os incentivos da Lei de Redução da Inflação, sancionada pelo presidente Joe Biden, que visa estimular a produção nacional de energia limpa.
A escalada tarifária revive tensões do passado. Em 2012, tarifas semelhantes foram impostas à China, levando empresas asiáticas a transferirem suas fábricas para países como Vietnã, Tailândia, Malásia e Camboja — justamente os alvos atuais das sanções.






