A Colossal Biosciences, empresa de biotecnologia dos Estados Unidos, anunciou um avanço significativo em seu projeto de recriação do mamute-lanoso, extinto há cerca de quatro mil anos.

Os cientistas modificaram geneticamente camundongos para desenvolver uma pelagem semelhante à do antigo animal do Ártico.

Os camundongos modificados apresentam pelos longos e ondulados, além de um metabolismo acelerado de gordura, característica que teria ajudado os mamutes a sobreviver em temperaturas congelantes.

Apesar do feito, especialistas alertam que ainda não há provas concretas de que esse experimento seja um passo real para recriar a espécie extinta.

COMO FOI FEITA A MODIFICAÇÃO GENÉTICA

Os pesquisadores da Colossal Biosciences analisaram genomas de mamutes preservados e compararam com os de seus parentes vivos mais próximos, como o elefante-asiático.

Eles identificaram 10 variantes genéticas relacionadas à textura e espessura da pelagem, além do metabolismo de gordura.

Um dos genes modificados foi o FGF5, responsável pelo crescimento dos pelos, tornando-os mais longos e desgrenhados.

Outros três genes foram alterados para dar aos camundongos uma textura lanosa e uma pelagem semelhante à do mamute.

Nos experimentos, quase 250 embriões foram gerados, mas apenas 38 camundongos nasceram com sucesso, apresentando as características desejadas.

Embora a empresa celebre o avanço, cientistas questionam se os resultados realmente aproximam a Colossal de trazer uma versão do mamute-lanoso de volta à vida.

Entre os principais questionamentos estão:

– Resistência ao frio: A pesquisa não demonstrou se a pelagem dos camundongos realmente os torna mais resistentes a baixas temperaturas, um fator essencial na adaptação do mamute ao Ártico.

– Saúde dos camundongos: Como os roedores ainda são jovens, os cientistas não sabem se as mutações podem causar problemas de longo prazo, como infertilidade ou predisposição a doenças.

RESTAURAR O EQUILÍBRIO AMBIENTAL

A Colossal Biosciences, avaliada em US$ 10 bilhões, aposta na “desextinção” de espécies para combater as mudanças climáticas.

Segundo a empresa, a presença de mamutes poderia ajudar a restaurar as pastagens da tundra, reduzindo a liberação de dióxido de carbono no Ártico.

A companhia afirma que seus primeiros bezerros geneticamente modificados, com características semelhantes às do mamute-lanoso, podem nascer até 2028.


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