Cacau Show compra Playcenter e anuncia parque temático bilionário em São Paulo

A Cacau Show surpreendeu o mercado ao anunciar a compra de todas as marcas e ativos do Grupo Playcenter.

O movimento marca a entrada definitiva da gigante do setor de chocolates no ramo do entretenimento, com planos ambiciosos que incluem a criação do Cacau Park, um parque de diversões de grande porte em Itu, no interior de São Paulo.

A aquisição acontece em um cenário desafiador para os parques de diversões no Brasil.

O próprio Playcenter, um dos mais icônicos do país, fechou as portas em 2012 após enfrentar anos de dificuldades financeiras e tentativas frustradas de reestruturação.

Desde então, a marca operava apenas miniparques em shopping centers. O Hopi Hari, outro parque conhecido, também lida com instabilidade desde 2012, quando uma adolescente morreu ao cair de um brinquedo defeituoso.

A exceção no setor parece ser o Beto Carrero World, em Santa Catarina, que se mantém estável e já foi alvo de especulações de venda, incluindo rumores de interesse da própria Cacau Show.

A estratégia por trás da aposta no entretenimento

Para especialistas, a iniciativa da Cacau Show vai além do lazer e representa uma estratégia de branding.

Ao criar experiências imersivas, a marca fortalece sua conexão emocional com os consumidores.

Segundo Marcos Bedendo, especialista em branding, a empresa busca se associar a momentos marcantes, algo que já acontece com grandes marcas internacionais, como a Hershey, que fundou seu próprio parque nos Estados Unidos há mais de um século.

Cacau Park: um projeto bilionário

O Cacau Park promete ser um dos maiores empreendimentos do tipo na América Latina.

Com um investimento de R$ 2 bilhões, o parque terá mais de 100 atrações, incluindo a maior montanha-russa do continente, além de hotéis, trilhas ecológicas e um boulevard a céu aberto com lojas, restaurantes e espaço para shows.

A inauguração está prevista para daqui a três anos, e a estrutura ocupará 7 milhões de metros quadrados entre Itu e Sorocaba. O projeto empregará cerca de 2,8 mil trabalhadores na construção e contará com três mil funcionários diretos após a inauguração.

Os espaços temáticos do parque incluem:

– City Walk: uma área com lojas e restaurantes.

– Fábrica Show: atração interativa que conta a história do chocolate.

– Vila LaCreme: espaço para shows e apresentações.

– Área mística e futurista: com trilhas imersivas, personagens temáticos e referências à história do cacau em rituais sagrados.

Apesar das semelhanças com “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, Alexandre Costa ressalta que o parque não se baseia na obra. “

Os riscos e desafios da empreitada

Embora a proposta seja inovadora, especialistas alertam para os desafios. Problemas como falhas operacionais e acidentes podem prejudicar a reputação da Cacau Show, que construiu sua marca com base na confiabilidade de seus produtos.

Casos de apostas mal-sucedidas de grandes marcas também servem de alerta. Nos anos 1980, a Colgate tentou lançar uma linha de alimentos congelados, mas o projeto foi um fracasso e afetou sua imagem.

Ainda assim, a Cacau Show segue otimista. A marca, que começou em 1988 com Alexandre Costa vendendo chocolates artesanais, hoje lidera o mercado brasileiro com mais de 5 mil lojas.

Recentemente, expandiu sua atuação para quiosques, gelaterias e hotéis, reforçando seu posicionamento como uma empresa de experiências.


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