O Ministério da Saúde anunciou a compra de 9,5 milhões de doses da vacina contra dengue, reforçando as ações de enfrentamento à doença em 2025. Do total adquirido, 5,5 milhões de doses já foram enviadas aos estados e ao Distrito Federal, priorizando a vacinação de crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, conforme orientação do comitê científico da pasta.

O investimento de R$ 1,5 bilhão faz parte do plano nacional de combate à dengue e outras arboviroses, que abrange o período de 2024 a 2025. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, destacou que a intensificação das ações ocorre em resposta ao aumento expressivo dos casos da doença no último ano, que registrou 6,5 milhões de ocorrências prováveis — um crescimento de 303% em relação a 2023.

“A dengue se tornou um problema global, impulsionado por mudanças climáticas e pela circulação de novos sorotipos do vírus. Nosso compromisso é reduzir casos e mortes evitáveis por meio de vigilância, vacinação e prevenção”, afirmou Nísia durante o lançamento do novo plano de contingência nacional para dengue, chikungunya e zika.

Novas estratégias para 2025

Entre as ações previstas para 2025, estão a ampliação de tecnologias inovadoras para controle do mosquito transmissor. A pasta anunciou a implantação de 150 mil estações disseminadoras de larvicidas, além da utilização de insetos estéreis em comunidades indígenas e da borrifação residual intradomiciliar em áreas de grande circulação, como escolas e asilos.

Adicionalmente, foram adquiridos 6,5 milhões de testes rápidos para diagnóstico da dengue. A ministra reforçou a importância da mobilização comunitária com iniciativas como o programa “10 minutos contra a dengue”, que incentiva a eliminação de focos do mosquito nas residências, e o Dia D de Mobilização Contra a Dengue, realizado anualmente em dezembro.

Prevenção e desafios

O Ministério da Saúde alerta para a necessidade de cuidados no diagnóstico e esclarece que o termo “dengue hemorrágica” foi abolido, já que o sangramento não é o único indicativo da forma grave da doença. Segundo dados da pasta, dois terços das pessoas que evoluem a óbito devido à dengue não apresentam sinais de sangramento.

Estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Paraná estão na lista de maior risco para surtos em 2025, com tendência de alta nos casos em comparação a 2024.

O lançamento do plano e a instalação do Centro de Operações de Emergência (COE) para Dengue e outras Arboviroses reforçam o compromisso do governo em conter a escalada da doença.

Apesar do avanço nas estratégias, o cenário de 2024 colocou a ministra sob pressão política devido à falta de medicamentos e vacinas em momentos críticos, o que resultou em críticas internas e externas à sua gestão. Mesmo assim, Nísia reafirmou sua prioridade em combater a dengue e outras emergências de saúde pública no país.


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