Na terça-feira, 21, Pedro Maranhão, presidente da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema), participou de uma entrevista onde analisou desafios e oportunidades no setor de resíduos sólidos no Brasil.

Em pauta, temas como o impacto da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) e o uso de tecnologias para transformar a gestão de resíduos no país.
Impacto global e o Acordo de Paris
Questionado sobre as consequências da saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, Maranhão destacou que, embora seja uma decisão preocupante, ainda existem canais de diálogo com o país para abordagens climáticas.
“Os Estados Unidos são um ator-chave, tanto pela quantidade de emissões quanto pelo desenvolvimento de novas tecnologias que impactam o cenário global. Essa discussão é fundamental para avançarmos”, afirmou.
Maranhão também enfatizou a relevância do Brasil no contexto da descarbonização global.
“Somos uma verdadeira ‘Arábia Saudita de combustível renovável’. Cada aterro sanitário pode ser visto como um poço de petróleo de biocombustíveis, e já estamos colhendo frutos disso”, destacou.
Ele citou Fortaleza como exemplo, onde 25% do gás distribuído pela cidade já é proveniente de biometano.
Desafios na reciclagem e política ambiental
A gestão de resíduos sólidos foi apontada como uma prioridade para o país, com projetos em andamento para erradicar os lixões.
“Hoje, o Brasil recicla apenas 8% de seus resíduos. Embora tenhamos avançado — saímos de 3% para 8% em poucos anos —, ainda estamos muito atrás de países desenvolvidos, que reciclam entre 50% e 60%”, alertou. Segundo ele, a bitributação sobre materiais reciclados é um dos principais entraves para a expansão da reciclagem no país.
Outra prioridade da Abrema é promover a educação ambiental e a coleta seletiva. Maranhão reforçou a importância de investir em cooperativas de catadores e em políticas públicas que assegurem condições dignas de trabalho para esses profissionais.
Inovação e o futuro da gestão de resíduos no Brasil
Para o presidente da Abrema, a adoção de tecnologias inovadoras é um divisor de águas no setor de resíduos sólidos.
“Antes, o lixo era simplesmente enterrado. Agora, com tecnologias de biogás e biometano, o resíduo orgânico, antes visto como um problema, tornou-se uma solução sustentável e rentável”, destacou.
Finalizando, Maranhão lamentou a postura de empresas nos Estados Unidos que encerram departamentos focados em ESG e alertou para os impactos dessa tendência no Brasil.
“É um retrocesso. No Brasil, temos avançado, mas ainda há muito o que fazer para ampliar a coleta seletiva e incentivar a sustentabilidade corporativa”, concluiu.






