No último sábado (14), a prisão do general Walter Braga Netto estabeleceu um simbolo inédito na história do Brasil: pela primeira vez, um militar de quatro estrelas foi detido por ordem judicial em um processo conduzido por civis. A operação, conduzida pela Polícia Federal e autorizada pela Justiça, mostra a escalada da investigação sobre a trama golpista envolvendo membros das Forças Armadas.

A cúpula do Exército, no entanto, tem buscado dissociar a imagem de Braga Netto da instituição. Segundo oficiais ouvidos, os atos sob investigação foram cometidos enquanto ele atuava como político, já fora dos quartéis.
As tensões entre Braga Netto e outros generais começaram ainda em 2022, quando mensagens interceptadas pela PF revelaram que ele articulava contra colegas como Freire Gomes, então comandante do Exército. Nos diálogos, Braga Netto chamava Freire de “cagão” e incentivava ataques a outros oficiais.
Atualmente preso em uma cela na 1ª Divisão do Exército, no Rio de Janeiro, o general é acusado de obstrução de Justiça, ao tentar obter informações sigilosas da delação premiada de Mauro Cid. A perda do posto e patente, bem como transferência para presídio comum, pode ocorrer caso seja condenado.
O episódio reacende o debate sobre o papel dos militares na democracia. Para o historiador Carlos Fico, o caso é inédito por se tratar de uma prisão ordenada por civis, envolvendo crimes contra a democracia. Apesar do impacto, o ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, tenta conter a crise com uma postura conciliatória, enquanto o Congresso evita atritos diretos com as Forças Armadas.
Com Braga Netto detido, outros militares de alta patente, como Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, podem ser os próximos alvos das investigações.
