A Polícia Federal atualizou na tarde desta sexta-feira, 13, as informações com relação a Operação ‘Cangaço Eleitoral’, deflagrada na manhã de ontem, com o objetivo de dar cumprimento a treze medidas judiciais, sendo quatro mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, que decorreram de representação elaborada pela própria PF.

Prefeito eleito Ary Meneses e o vice Ronildo da Farmácia

Os mandados de busca e apreensão tiveram como alvos oito pessoas físicas e uma pessoa jurídica sendo sete deles cumpridos na cidade de Nova Olinda do Maranhão, dois em São Luís e um na cidade de Cantanhede.

Em relação às prisões decretadas, foram prolatadas em face de quatro pessoas investigadas no Inquérito Policial, que apresentam posição de liderança e que teriam praticado atos intimidatórios contra eleitores.

Ainda na data de ontem, três pessoas investigadas foram presas em cumprimento ao mandados expedidos: o vice-prefeito eleito Ronildo da Farmácia (MDB). o sogro do prefeito eleito Ary Menezes (PP) e a secretária de finanças do município.

A Polícia Federal continua com diligências no sentido de dar cumprimento a um mandado de prisão restante, em face de Ary Menezes que seria o líder, segundo a PF, da organização criminosa, que já é considerado foragido da Justiça.

A investigação teve início após uma reportagem exibida no programa Fantástico, em outubro. Na ocasião, um eleitor relatou ter trocado o voto por materiais de construção, como telhas, sacos de cimento e madeira, após ser ameaçado.

O prefeito Ary Menezes venceu as eleições em Nova Olinda do Maranhão por uma margem de apenas dois votos contra Thaymara Amorim (PL), em uma das disputas municipais mais acirradas do país.

Mandados e esquema criminoso – Além das prisões, a operação cumpriu mandados de busca e apreensão nas cidades de São Luís e Cantanhede. As ações foram autorizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) e visam desmantelar uma suposta organização criminosa responsável por corrupção, intimidação de eleitores, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.

A PF identificou práticas como aliciamento de eleitores, compra de votos, ameaças e extorsão. Eleitores que mudaram de opinião ou se recusaram a apoiar o candidato do grupo relataram ter sofrido represálias, inclusive ameaças com armas de fogo.

Denúncias de vítimas – Danilo Santos, um dos eleitores, afirmou ter aceitado vender seu voto em troca de 1.500 telhas, 20 sacos de cimento e madeira para sua casa. No entanto, após não receber o material completo, ele mudou de ideia. Dois dias após a eleição, um caminhão da prefeitura retirou as telhas de sua casa.

Outra vítima, Luciane Souza Costa, relatou ter sido ameaçada junto com sua família por não apoiar o candidato indicado pelo grupo, mesmo após seu marido aceitar dinheiro pela compra de voto. Imagens registradas por ela mostram um homem, identificado como apoiador do candidato, fazendo ameaças de morte.

Defesas dos acusados – Ronildo da Farmácia, vice-prefeito negou as acusações, afirmando que a campanha foi conduzida de forma limpa. “Eu garanto, com 100% de certeza, que não oferecemos dinheiro por votos para ninguém.” Já Ary Menezes, que segundo a PF está foragido, disse em nota que a compra de votos compromete a democracia e deve ser investigada pela Justiça Eleitoral.

As investigações continuam, e a PF apura a possível utilização de recursos públicos federais no esquema de compra de votos.


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