A crise na Federação Maranhense de Futebol (FMF) e no Instituto Maranhense de Futebol (IMF) ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (12). As duas entidades divulgaram nota oficial repudiando a atuação da interventora judicial, Susan Lucena, nomeada no início do mês para administrar as instituições. O protesto se deve à divulgação de um relatório preliminar e de extratos bancários antes da conclusão da perícia e sem autorização para ampla publicidade.

Na nota, FMF e IMF afirmam que a exposição de informações sigilosas afronta a Constituição, a Lei Complementar nº 105/2001 e os princípios do devido processo legal e da presunção de inocência. As entidades classificam a medida como “divulgação parcial e ilegal”, acusam a interventora de agir com parcialidade e afirmam que o episódio prejudica a imagem institucional e influencia indevidamente a opinião pública. Ambas garantem que adotarão medidas judiciais para responsabilizar a conduta.

A intervenção foi determinada no dia 4 de agosto pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos de São Luís, a partir de uma Ação Civil Pública do Ministério Público do Maranhão (MPMA). O órgão apontou falta de transparência, confusão patrimonial e reformas estatutárias aprovadas sem ampla divulgação. Segundo o MP, o patrimônio líquido da FMF teria caído mais de 80% entre 2021 e 2024, e o IMF teria sido criado para administrar recursos e evitar bloqueios judiciais.

Pela decisão, a interventora tem 90 dias para levantar a situação financeira, contábil e administrativa, corrigir irregularidades e conduzir nova eleição, com ampla publicidade e participação dos filiados. A Justiça também suspendeu assembleias realizadas em janeiro deste ano e determinou que sejam publicados online todos os atos institucionais, contratos e balanços dos últimos cinco anos.

O MP pede, ainda, condenação por danos morais coletivos no valor de R$ 2 milhões, ressarcimento de prejuízos e declaração de inelegibilidade de dirigentes por até 10 anos, conforme a Lei Geral do Esporte. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entrou no processo como assistente simples e alertou para o risco de sanções da FIFA e da CONMEBOL, que poderiam afetar clubes maranhenses em competições nacionais e internacionais.

 


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