(Por Cláudia Ferreira Fontinhas)
A reforma tributária já começou. E, embora muitos profissionais ainda tratem o tema como um debate técnico distante da realidade das empresas, o fato é que estamos diante de uma das maiores transformações do ambiente econômico e jurídico brasileiro.
O mercado como se conhece hoje irá mudar!
A reforma tributária, reorganiza a lógica da tributação sobre o consumo e altera diretamente a forma como as empresas irão operar, contratar, comprar, vender, precificar e se relacionar com fornecedores nos próximos anos.
A mudança é estrutural.
A Emenda Constitucional nº 132/2023 criou um novo sistema tributário sobre o consumo, posteriormente regulamentado pelas Leis Complementares nº 214/2025, nº 225/2026 e nº 227/2026, responsáveis pela criação do IBS, da CBS, do Imposto Seletivo, do Comitê Gestor do IBS e do novo Código de Defesa do Contribuinte.
Mas talvez haja um ainda dado mais importante.
Recentemente, matéria publicada pelo InfoMoney apontou que apenas 35% das empresas brasileiras avançaram efetivamente na adaptação ao novo sistema tributário.
Isso significa que a maioria das empresas ainda não compreendeu o tamanho da transformação econômica que já começou.
E o ponto de destaque da reforma talvez ainda seja pouco discutido no meio empresarial: o novo sistema funcionará baseado em crédito tributário.
Na prática, empresas poderão recuperar créditos sobre tributos pagos em compras, contratações e operações empresariais. Porém, para que esses créditos sejam efetivamente aproveitados, toda a cadeia econômica precisará operar de forma regular e organizada.
Ou seja: o fornecedor da empresa passa a impactar diretamente seu caixa, sua margem de lucro e sua competitividade.
Uma contratação aparentemente mais barata poderá gerar perda de créditos tributários, aumento indireto da carga fiscal e redução de eficiência financeira.
Isso muda completamente a lógica das relações empresariais.
Antes, muitas empresas escolhiam fornecedores apenas pelo menor preço. Agora, regularidade fiscal, transparência, governança tributária e conformidade passam a ter impacto financeiro direto.
Empresas mais organizadas tendem a recuperar mais créditos, reduzir perdas financeiras e operar com maior eficiência tributária.
Já empresas desorganizadas poderão enfrentar aumento indireto de custos, perda de competitividade e maior exposição fiscal.
Além disso, a reforma também fortalece mecanismos de conformidade tributária. O novo Código de Defesa do Contribuinte busca ampliar segurança jurídica, boa-fé, transparência e cooperação entre Fisco e contribuinte.
Na prática, empresas organizadas terão maior previsibilidade operacional, redução de riscos fiscais e melhor posicionamento competitivo no mercado.
A verdade é que a reforma tributária não será apenas uma mudança contábil.
Ela criará uma nova lógica de concorrência empresarial no Brasil.
E as empresas que começarem agora a revisar contratos, fornecedores, operações, precificação e planejamento tributário certamente sairão na frente nos próximos anos.
No novo cenário tributário brasileiro, adequação deixou de ser apenas obrigação fiscal.
Passou a ser estratégia de sobrevivência empresarial.

