A CPMI do INSS deve votar nesta quinta-feira (11) uma pauta com 406 requerimentos, dos quais 205 tratam de pedidos de quebra de sigilo bancário, fiscal e de relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Quatro deles miram diretamente o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), entidade que tem como vice-presidente o sindicalista José Ferreira da Silva, conhecido como Frei Chico, irmão mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entre os pedidos estão duas quebras de sigilo, apresentadas pela deputada Adriana Ventura (Novo-SP) e pelo senador Izalci Lucas (PL-DF). Outros dois requerimentos, assinados por Izalci e pelo senador Marcos Rogério (PL-RO), solicitam que o Coaf envie à comissão relatórios de inteligência financeira eventualmente produzidos sobre o sindicato. Até o momento, não há requerimentos específicos voltados a Frei Chico, mas o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que ele pode ser convocado caso surjam indícios de participação na chamada “farra do INSS”.
As suspeitas sobre o Sindnapi envolvem o uso de uma empresa de familiares de dirigentes para receber comissões de descontos aplicados em aposentadorias em nome da entidade. Entre 2020 e 2023, a Gestora Eficiente Ltda., ligada ao presidente do sindicato, Milton “Cavalo” Souza, e à coordenadora jurídica, Tonia Galleti, recebeu ao menos R$ 4,1 milhões em repasses do próprio Sindnapi, do banco BMG e da seguradora Generali. No mesmo período, a arrecadação do sindicato com descontos em benefícios saltou de R$ 23 milhões para R$ 154,7 milhões, puxada por um acordo com o BMG que gerou milhares de filiações suspeitas.
Os documentos obtidos pela comissão indicam que a maior parte desses novos filiados não se associou de forma voluntária, mas por meio do banco, muitas vezes sem autorização. O crescimento das receitas coincidiu com a ascensão patrimonial de dirigentes: Milton Cavalo construiu uma mansão em Ibiúna (SP), enquanto sua esposa abriu uma offshore em Miami. Já a família de João Batista Inocentini, o João Feio, também dirigente sindical, ergueu uma casa de 519 metros quadrados, com piscina e lago artificial, em um sítio no interior de São Paulo.
Apesar das denúncias, a Advocacia-Geral da União e o INSS têm sido questionados por não moverem ações contra o Sindnapi na mesma intensidade aplicada a outras entidades.
