O Brasil deve permanecer como a 10ª maior economia do mundo até o fim da década, sem avanço de posição no ranking global do Produto Interno Bruto (PIB), segundo projeções atualizadas do Fundo Monetário Internacional (FMI). A perda de uma colocação entre 2023 e 2024 é atribuída principalmente à variação cambial, que reduziu o valor do PIB brasileiro em dólares, apesar de o país manter crescimento real.

As estimativas divulgadas na revisão de primavera do FMI, no contexto do Hemisfério Norte, projetam crescimento de 2% para a economia brasileira em 2025 e 2026, um recuo em relação aos 2,2% previstos anteriormente. A instituição também revisou para baixo o crescimento global: de 3,3% para 2,8% em 2025 e de 3,3% para 3% em 2026. A desaceleração é atribuída, em parte, aos efeitos da guerra comercial reativada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Brasil perde força no ranking global
Na chamada “corrida dos PIBs”, o Brasil está embolado com Itália e Canadá na parte inferior do grupo das dez maiores economias do planeta. O FMI prevê que essas três nações disputarão entre si as posições de 8º a 10º lugar até 2030. O Brasil, que em projeções anteriores subiria para a 9ª colocação em 2027 e atingiria a 8ª posição em 2028, perdeu fôlego nas previsões mais recentes.
Essa estagnação decorre, principalmente, da valorização do dólar frente ao real. Como o ranking do PIB é calculado em moeda americana, mesmo um crescimento econômico moderado pode resultar em perda de posição se o real estiver desvalorizado.
PIB per capita expõe desigualdade
Mesmo com um grande volume de produção, impulsionado por sua população numerosa, o Brasil continua mal posicionado no ranking global de PIB per capita, indicador mais adequado para medir o nível de renda da população.
Em 2024, o PIB per capita brasileiro foi de US$ 10.214, valor significativamente inferior ao do Canadá (US$ 54.473) e da Itália (US$ 40.224). Isso evidencia que, apesar do tamanho da economia brasileira, a renda média da população ainda está distante da observada em países desenvolvidos.
O Brasil também fica atrás de outros emergentes, como Chile, México, Rússia e Malásia. O topo da lista de PIB per capita pertence a Luxemburgo, com impressionantes US$ 138.634, impulsionado por sua pequena população e alto desenvolvimento financeiro.
Cenário de estabilidade, mas sem protagonismo
A manutenção do Brasil entre as dez maiores economias do mundo até 2030 representa uma estabilidade relativa, mas também escancara a dificuldade do país em se projetar entre as nações mais ricas. Sem reformas estruturais e com os desafios fiscais e cambiais persistentes, a economia brasileira tende a crescer de forma modesta, perdendo espaço no cenário internacional.






