O Partido dos Trabalhadores (PT) vai realizar no dia 6 de julho a eleição para a escolha de seu novo presidente nacional. Se houver necessidade de segundo turno, a votação ocorrerá em 20 de julho. Esta será a primeira eleição direta para a direção partidária em mais de uma década, retomando o modelo abandonado nas últimas duas disputas, que elegeram e reelegeram Gleisi Hoffmann.

A atual ministra da Secretaria de Relações Institucionais deixou a presidência do partido em março. Desde então, o senador Humberto Costa (PE) exerce a função de presidente interino. A eleição deste ano é considerada a mais disputada da história recente da legenda.

Cinco nomes concorrem ao cargo, representando diferentes correntes internas:

Edinho Silva

Ex-prefeito de Araraquara (SP) e ex-ministro da Comunicação Social no governo Dilma Rousseff, Edinho Silva é o candidato apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Representante da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB), Edinho defende fortalecer o funcionamento interno do partido, com foco em ampliar a democracia interna, retomar o trabalho de base e preparar o PT para a sucessão de Lula.

Para Edinho, o fortalecimento do partido deve garantir a construção de novos nomes para o futuro e ampliar a atuação nas pautas contemporâneas, como a transição energética, mudanças climáticas, segurança pública e a precarização do trabalho. Ele também defende que o PT mantenha uma linha de apoio crítico ao governo federal, mobilizando movimentos sociais para sustentar e pressionar pela implementação de pautas progressistas.

Washington Quaquá

Prefeito de Maricá (RJ) e vice-presidente nacional do PT, Washington Quaquá representa uma dissidência da CNB. Ele defende que o partido aprofunde alianças ao centro para garantir a governabilidade e liderar um projeto de desenvolvimento nacional com distribuição de renda.

Quaquá critica o que chama de “discurso identitário” e defende que o PT recupere sua presença nas periferias e nas classes populares, com uma atuação mais militante. Ele também propõe a formação de uma coalizão que envolva o Judiciário, o Legislativo e setores da burguesia nacional, como estratégia para fortalecer o governo Lula e consolidar o PT como protagonista político do país.

Rui Falcão

Deputado federal por São Paulo e presidente do PT entre 2011 e 2017, Rui Falcão defende a reorganização da estrutura partidária com foco no fortalecimento das bases populares. Sua proposta inclui a criação de núcleos do partido nos bairros e a formação de um grupo estratégico para pensar o futuro do Brasil.

Falcão defende a necessidade de separar as funções do partido e do governo, reafirmando que o PT deve manter autonomia crítica em relação ao Executivo. Segundo ele, o partido precisa reconectar-se com os trabalhadores e a juventude e combater a fragmentação interna, rejeitando disputas de poder que não dialoguem com a sociedade.

Romênio Pereira

Um dos fundadores do PT e atual secretário de Relações Internacionais do partido, Romênio Pereira é o candidato da corrente Movimento PT. Ele propõe uma gestão mais atenta às demandas dos pequenos e médios municípios, uma distribuição mais equitativa dos recursos partidários e o fortalecimento da atuação nos setores populares.

Romênio defende o diálogo com comunidades rurais, periferias urbanas e matrizes religiosas, incluindo o meio evangélico. Seu principal projeto é organizar o partido para garantir a reeleição de Lula em 2026 e manter o campo progressista no poder até 2030.

Valter Pomar

Historiador e dirigente da corrente Articulação de Esquerda, Valter Pomar defende um giro à esquerda no PT. Ele propõe que o partido retome a luta pelo socialismo, pela reforma agrária, pela revogação das reformas trabalhista e previdenciária e pela reindustrialização do país.

Pomar critica as alianças com o centro e a direita e avalia que o partido deve adotar uma postura mais combativa, apostando na mobilização social para enfrentar a atual composição conservadora do Congresso. Para ele, o PT deve reconstruir suas bases junto à classe trabalhadora e rejeitar a hegemonia da corrente CNB na direção partidária.


Comentário no post: “PT terá eleição direta para presidência; cinco candidatos estão na disputa

  1. Não sou petista e jamais serei.
    Mas dessa ‘plêiade de sumidades’, o menos pior é o Roménio Pereira com ideias mais ao lado do povo. Os demais querem que o povo exploda…

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