A Polícia Federal (PF) revelou detalhes sobre uma mensagem de áudio em que o agente da PF, Wladimir Soares, faz referência a um plano de assassinato contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O áudio, ainda sob sigilo judicial, foi encontrado durante a investigação sobre uma trama golpista que tinha como objetivo impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2023.

No conteúdo do áudio, Wladimir menciona que estavam com Moraes “na mira para atirar” e descreve o armamento que seria utilizado no plano. Essa mensagem foi uma das descobertas feitas pela PF no inquérito que apura as ações do grupo envolvido no golpe, que também inclui 40 indiciados.
Wladimir Soares foi preso em novembro do ano anterior sob a acusação de se infiltrar na segurança de Lula, então presidente eleito, com o intuito de repassar informações confidenciais ao grupo envolvido na conspiração. Ele seria parte de um círculo de cinco pessoas que planejavam assassinar autoridades, incluindo Moraes. A prisão foi autorizada pelo STF após investigações envolvendo Sérgio Rocha Cordeiro, capitão da reserva do Exército e ex-assessor especial do Gabinete Pessoal da Presidência da República.
A investigação revelou que Wladimir forneceu detalhes estratégicos sobre o esquema de segurança de Lula, o que indicaria sua participação no plano para a execução do ministro. Em resposta, a PF desvendou um esquema mais amplo de ataques à democracia, onde Moraes, Lula e seu vice, Geraldo Alckmin, seriam “neutralizados” por militares das Forças Especiais do Exército. Quatro militares e Soares foram detidos durante a operação Contragolpe.
De acordo com os documentos da PF, a ação envolvia militares posicionados em frente ao prédio de Moraes, na Asa Sul de Brasília, aguardando o momento de executar o ataque. A análise dos áudios e outros materiais será enviada ao Supremo Tribunal Federal em um relatório complementar, com a expectativa de que o ministro relator levante o sigilo da investigação.
